Põe azeite na tua lamparina
Para que a treva eterna se retarde.
A tarde há de ensombrar a tua sina
E a Morte é indefectível como a tarde.
Observa: a sua luz não tem alarde,
Que as combustões de súbito confina.
O fogaréu indômito ilumina,
Mas, quase sempre, em dois instantes arde.
A lamparina, entanto, muito calma,
-Luz pequenina, que parece uma alma,
Que à Grande Luz celestial se eleva-,
Espera nesse cândido transporte,
Que, extinto sendo o azeite, chegue a Morte,
Que a luz pequena para a Grande leva.
[“Lamparina” | Jorge de Lima | Maceió, 26.09.1917]
Foto: Olinda, Pernambuco - Maio de 2009.